Os 70 anos da FAB
FORÇA AÉREA BRASILEIRA - 70 ANOS
INTEGRANDO E DEFENDENDO O BRASIL
Pelo Decreto-Lei 2961 de 20 de janeiro de 1941 com a
fusão do Corpo de Aviação da Marinha e a Arma de Aeronáutica do
Exército, foi criado o Ministério da Aeronáutica e as Forças Aéreas
Nacionais. A nossa Força Aérea Brasileira (FAB) só passou a ter esta
designação à partir de 22 de maio de 1941. A princípio suas aeronaves
eram oriundas do material que equipava as duas aviações (Marinha e
Exército), sendo em sua esmagadora maioria obsoletos. Somente com a
entrada do Brasil na guerra em agosto de 1942, é que novos materiais e
aeronaves começaram a ser recebidos em substanciais quantidades. Novas
bases foram criadas e as já existentes ampliadas e modernizadas. As
aeronaves modernas recebidas substituíram as antigas, que foram
relegadas a funções de segunda linha ou cedidas a Diretoria de
Aeronáutica Civil, que cedeu os aviões de treinamento básico aos
aeroclubes. Dai para a frente é pura história. A criação e desempenho
do 1º Grupo de Aviação de Caça em céus italianos durante a II Guerra
Mundial e a constante profissionalização do material humano em tempos
de paz, impulsionam a nossa Força Aérea rumo ao futuro.
Homenageamos, portanto, todos os homens e mulheres que no passado e no
presente, dedicam suas vidas ao nobre e sagrado mister de defender os
céus de nosso Brasil e integrar o nosso vasto território, pois a Força
Aérea Brasileira representa "As Asas Que Protegem o País".
HOMENAGEM DOS PLASTIMODELISTAS
O GPPSD - Grupo de Plastimodelismo e Pesquisa Santos
Dumont abre espaço para que todos os plastimodelistas, brasileiros ou
não, prestem sua homenagem à Força Aérea Brasileira, enviando fotos de
seus trabalhos que representem os aviões utilizados pela FAB desde sua
criação aos dias atuais.
Pretendemos, portanto, criar esta galeria como forma de integração
entre os plastimodelistas e ao mesmo tempo, prestar o nosso tributo aos
70 anos de nossa Força Aérea.
1º GRUPO DE AVIAÇÃO DE CAÇA-DA
HÉLICE AO JATO
O 1ºGrupo de Aviação de Caça foi criado pelo Decreto
6123 de 18 de dezembro de 1943. Subordinado ao 350th Fighter Group da
USAAF (United States Army Air Force) realizou 2.546 operações de
combate em 450 missões em céus italianos, tendo como código o nome
"Jambock", que era uma espécie de chicote de couro duro. Operou com 4
esquadrilhas, a "A" (vermelha), "B" (amarela), "C" (azul) e "D"
(verde). Por seu excepcional desempenho em ação, em 1986 por
determinação do presidente norte americano Ronald Reagan, os "Jambocks"
receberam a Citação Presidencial Americana. Vale lembrar que apenas uma
unidade inglesa que lutou durante a Batalha da Inglaterra, foi
merecedora de tal distinção.
P-47D THUNDERBOLT da MONOGRAM 1/48
É um antigo molde dos anos 60 que é comercializado até
nossos dias. Moldado em alto relevo, plástico prata acinzentado, possui
34 peças, sendo 2 transparentes. Simples de montar, resolvi homenagear
o então 2º Ten.Av. Rui Barbosa de Moreira Lima - BO 432, que pilotando
seu P-47 realizou 94 missões de combate, sendo a primeira em 06/11/44 e
a última em 01/05/45. As cores utilizadas foram a Gunze 12 Olive Drab
(1) e a Mr.Color 317 Neutral Gray. Os decais foram da FCM.
Guardo com orgulho meu P-47, que teve a sua asa direita assinada pelo
Maj. Brig. do Ar Moreira Lima, durante sua inesquecível visita a uma
Convenção de Plastimodelismo do GPPSD, realizada no PAMA/SP, onde os
Caçadores Veteranos foram homenageados.
       
A FAB NA ERA DO JATO - GLOSTER
METEOR F-8
O 1º Grupo de Aviação de Caça entrou para a era do jato
no ano de 1953, em uma transação em que os jatos foram adquiridos novos
de fabrica, sendo pagos com toneladas de algodão. Os F-47 (que tiveram
o "P" de Pursuit substituído pelo "F" de Fighter) foram aposentados,
sendo que as matrículas dos F-8 tiveram a seqüência numeral 4.400 a
4.460. O Modelo F-8 era a versão aperfeiçoada do Meteor MK4. Durante 5
anos, os Meteors reinaram absolutos na RAF - Royal Air Force, até serem
substituídos pelo Hawker Hunter. Alem dos F-8, a FAB operou com a
versão biplace de treinamento, denominada TF-7. Apenas para registro, o
Brig. Rui Moreira Lima também pilotou os nossos Glosters no 1º Grupo de
Caça.
GLOSTER METEOR F-8 DA XTRAKIT 1/72
Com o código XK 72001 a empresa Xtrakit oferece aos
plastimodelistas um belo kit do Meteor. Moldado em baixo relevo, contém
62 peças, com 2 transparências, podendo o modelo ser montado com a
capota com reforço ou inteiriça. O modelo apresentado é da Airfix,
lançado em 2009, porém a matriz é da Xtrakit, sendo que até o folheto
de instruções é igual só mudando a folha de decais. Resolvi montar o
meu com a pintura de 1955, chamada pelo pessoal de "tamborzinho de
criança" por seu adorno de fuselagem. Ná época a cobertura da cabine
tinha reforço da parte traseira, que dado a problemas de trincas e até
quebras em vôo, foi substituído em 1956 pelas inteiriças tipo "gota". A
pintura foi realizada com a cor FS-17178 High Speed Silver e os decais
foram da FCM.
      
O FORMIDÁVEL HÉRCULES C-130
O protótipo do YC-130 fez seu primeiro vôo em 23 de
agosto de 1954, estando portanto há mais de 50 anos em
atividade, servindo 50 nações. Ao longo de sua carreira o C-130 é
sinônimo de confiabilidade e robustez. Impulsionado por 4 turbo
propulsores, é capaz de operar em pistas não preparadas, desempenhando
com valentia larga gama de funções.
OS HÉRCULES NA FAB
Os primeiros C-130E adquiridos pela Força Aérea
Brasileira chegaram em 29/09/1965, substituindo os veneráveis C-47 do
1º GT (Grupo de Transporte). Sua função principal seria a de cargueiro
e transporte tático de médio e longo alcance, sendo que com o decorrer
dos anos de serviço, suas funções foram ampliadas para reabastecedor
aéreo
(KC-130, pelo sistema probe and drogue, para os F-5E), busca e
salvamento (SAR), aerofotogrametria, lançamento de tropas
aerotransportadas e
missões no Pólo Sul equipados com esquis. Sua primeira missão de vulto
foi o transporte de 2.200 militares da OEA - Organização dos Estados
Americanos e as forças brasileiras da FAIBRÁS na intervenção ocorrida
na República Dominicana, no Caribe. Com certeza durante muito tempo,
ainda
teremos o privilégio de ver sua garbosa silhueta nos céus do Brasil.
CURIOSIDADES SOBRE OS C-130 da FAB
* Foi o primeiro avião brasileiro (civil ou militar) a
dar a volta ao mundo. O C-130 matrícula 2450 em 1966, sob o comando do
Ten. Cel. Av. Cassiano Pereira realizou a inédita façanha. Saindo do
Brasil com medicamentos e agasalhos doados à população do Vietnã do
Sul, depois de descarregado rumou para a região de Suez, onde embarcou
materiais e equipamentos do Exército Brasileiro que estavam como Força
de Paz da ONU no Canal de Suez e daí voltando para o Brasil. Foram 56
mil quilômetros percorridos.
* O segundo vôo ao redor do mundo foi realizado pelo C-130 matrícula
2455 em 14 de dezembro de 1970.
* Em 7 de setembro de 1969, transportou para o México os prisioneiros
políticos libertados em troca do embaixador americano, seqüestrado no
Rio de Janeiro.
* Em outubro de 1969 o C-130 matrícula 2456 trouxe da Itália o
primeiro Aermacchi 326 para vôos de demonstração no Dia do Aviador,
sendo que posteriormente mais de 170 unidades do mesmo tipo foram
produzidas pela Embraer como AT-26 Xavante.
* Recordes de vôos diretos:
Em 24 de abril de 1969 o C-130 matrícula 2457 realizou o percurso
entre Brasil - Lisboa em 14 horas e 57 minutos.
Em 20 de julho de 1969 o C-130 matrícula 2456 realizou o percurso
Brasil - Londres em 15 horas e 05 minutos.
MONTANDO O C-130 DA REVELL
BRASILEIRA
Quem é veterano no plastimodelismo, lembra com saudade
a linha de kits da Revell que era injetada no Brasil. No meio dos anos
70 a Kikoler (Revell Brasil) resolveu homenagear a aviação civil e
militar brasileira, lançando alguns de seus aviões com decais de
companhias aéreas brasileiras e da nossa Força Aérea. Quem não se
lembra
do DC-10 da Varig ou do Boeing 727 da Cruzeiro e Transbrasil? Já na
área militar o Mirage IIIBR na escala 1/32, o Catalina “Arará” e o
C-130
eram destaque entre os “fabianos”. O C-130 com o código do fabricante
H-200 era na escala 1/144, com apenas 29 peças, sendo duas
transparentes. Era estampado em alto e baixo relevo com o plástico na
cor verde escuro. Para tornar mais atual (em 2002 quando montei o
danadinho) e mais “guerreiro” o meu C-130, optei pela pintura tática
tipo “sudeste asiático”. Por ser um kit simples foi uma diversão enorme
montar, pintar e decorar o Hércules. Pela idade do molde ainda pode ser
considerado um excelente kit para a nossa época. Tenho certeza de que
algum saudosista deve estar se remoendo em ver este kit montado, mas eu
tenho um outro na caixa, inteirinho!
      
O POUCO CONHECIDO G-44 GRUMMAN
WIDGEON
Bimotor e anfíbio, o Grumman G-44 Widgeon era designado
pela marinha dos EUA como J4F e como AO-14 pela Guarda Costeira. A
princípio, sua produção foi direcionada para o mercado civil, porém com
a entrada do Estados Unidos na II Guerra mundial, o G-44 foi obrigado a
“vestir farda” e assim, foi designado para a função de patrulheiro
costeiro. Apesar de ser uma aeronave adaptada para uso militar o
Widgeon atingiu o número de 276 aeronaves construídas, sendo que além
dos EUA e Brasil, o modelo também foi utilizado pelo Comando Costeiro
da
RAF.
O WIDGEON NA FAB
Nossos G-44 operaram no Brasil entre 1942 e
1968, servindo na função de serviços gerais, transporte e instrução. As
nossas 14 unidades vieram voando dos EUA, sendo conduzidos por pilotos
da FAB, fazendo a rota do Atlântico, próximo às costas. A primeira
designação da FAB para os “marrecos” foi J4F-2. Felizmente um está
preservado no MUSAL do Rio de Janeiro. Consta que um Widgeon operou na
Base Aérea de Santa Cruz até 1963, quando foi repassado a um aeroclube
no Rio de Janeiro.
O WIDGEON DA AIRFIX ESCALA 1/72
Montei pela primeira vez um Widgeon no início dos anos
60. Achei o kit muito sem graça, já que era pequeno demais e não tinha
armamento. No início dos anos 80 comprei um outro kit, que pintei com
as
cores da RAF. Em 1995 estive no Musal, onde pude ver de perto um dos
que
serviram na nossa Força Aérea. Fiquei surpreso, pois não imaginava que
a
FAB tivesse utilizado o tipo. É obvio que resolvi comprar um outro
modelo e fazer igual. Na época o kit estava fora de
catálogo, portanto, desmontei e tirei a pintura daquele que tinha feito
com pintura da RAF, baixei os relevos, abri a porta lateral e o alçapão
frontal, refazendo as portas com pedaços de plasticard. A pintura foi
feita com as cores cinza claro e azul intermediário da marca Gunze. Os
reforços das hastes dos flutuadores e estabilizadores foram construídos
com “sprue”. Hoje já existem dois moldes na escala 1/48, que pretendo
adquirir em breve, homenageando este pequeno guerreiro, que prestou
bons serviços ao nosso País.
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